23 de abril de 2026

Flávio Bolsonaro e a política do “Quem Cagou Aqui?”

Na política brasileira, alguns personagens parecem seguir um roteiro repetido à exaustão. Flávio Bolsonaro é um deles. Seu comportamento lembra aquele galo de quintal: faz a maior cagada no terreiro e, em vez de limpar ou assumir, estufa o peito, bate as asas e sai gritando — “Quem cagou aqui?”

O histórico é conhecido. Escândalos surgem, investigações avançam, provas aparecem, e a reação nunca é a autocrítica ou a explicação transparente. Pelo contrário. Vem o discurso inflado, o ataque às instituições, a vitimização calculada e a tentativa de inverter os papéis. O problema nunca é o ato, mas quem ousou apontar a sujeira no chão.

Essa estratégia não é acidental. É método. Primeiro, normaliza-se o erro. Depois, desacredita-se a imprensa, o Ministério Público, o Judiciário. Por fim, posa-se de perseguido político, como se questionar rachadinhas, imóveis suspeitos e esquemas mal explicados fosse crime contra a família Bolsonaro.

O mais curioso é que o grito alto nunca vem acompanhado de respostas convincentes. Só barulho. Muito barulho. Como o galo que canta forte para parecer dominante, mesmo sabendo que deixou o rastro para trás.

Enquanto isso, parte do eleitorado aplaude o espetáculo, confundindo arrogância com coragem e gritaria com inocência. Mas o fato é simples: quem não deve, explica. Quem explica, não precisa berrar. E quem vive perguntando “quem cagou aqui?” geralmente sabe muito bem a resposta.

No fim das contas, o problema não é o galo cantar. É fingir que o terreiro está limpo quando todo mundo já sentiu o cheiro.

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