13 de abril de 2026

DE CAVALÃO REBELDE A PÔNEI DE CIRCO:

Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, o ex-capitão aguarda o momento de deixar sua residência para cumprir pena em regime fechado. O debate agora é sobre o local de sua detenção.

O réu e seus aliados apelam a argumentos de idade e saúde, tentando suavizar o inevitável. Falam em náuseas, soluços, crises nervosas e fragilidade física. O mesmo homem que se vangloriou de não temer nada nem ninguém se encolhe diante do cárcere.

Messias colhe o que plantou. Tentou um golpe de Estado, insuflou seguidores contra as instituições e transformou o país em campo de guerra política. Foi omisso durante a pandemia, zombou da ciência e tratou a Covid-19 que matou mais de 700 mil brasileiros como uma “gripezinha”. Ignorou vacinas, desdenhou das mortes e incentivou aglomerações enquanto o país chorava seus mortos. A insensibilidade foi sua marca.

Um governante incapaz de empatia, que trocou compaixão por deboche e política por confronto. Agora, diante da lei, tenta despertar piedade de quem nunca teve. No Exército, era conhecido pelo apelido de “cavalão”, em referência ao temperamento explosivo e ao corpo avantajado. No Planalto, foi o general de si mesmo, autoritário, inconsequente e movido pela crença de que o poder era o escudo para a impunidade.

Em 2017, declarou publicamente que “sou capitão do Exército, a minha especialidade é matar, não é curar ninguém.” A frase, dita em tom de bravata, hoje volta como ironia amarga. O homem treinado para matar teme agora o confinamento, o isolamento, o esquecimento. O valente se rende. O “cavalão” virou um pônei de circo, destes que no picadeiro divertem crianças e obedecem ao chicote do domador. De arrogante a refém do próprio destino, Bolsonaro enfrenta a consequência dos atos que marcaram seu governo e sua trajetória.

A Justiça que tentou dobrar o dobra agora em silêncio. O ex-presidente que desafiou as leis, debochou das vítimas e insultou adversários assiste, impotente, ao desmonte do próprio mito. O capitão que dizia estar pronto para a morte agora teme a cela e implora por clemência. O mito desmoronou. O herói de si mesmo se dissolveu na própria farsa. A história, impiedosa, não perdoa impostores e mais uma vez mostra que por trás de toda bravata há apenas um covarde tentando parecer valente …

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