8 de março de 2026

Após raio ferir apoiadores, Nikolas discursa e pede CPIs e “Nordeste livre”.

A cena parece saída de uma tragicomédia política brasileira — e talvez seja mesmo. Após um raio atingir e ferir apoiadores durante uma caminhada messiânica, Nikolas Ferreira sobe ao palco não para prestar solidariedade real, nem para refletir sobre o ocorrido, mas para fazer o que sabe melhor: discurso, CPI e provocação eleitoral.

Enquanto apoiadores ainda se recuperavam do susto — e das queimaduras — Nikolas aproveitou o microfone para pedir CPIs, repetir bordões vazios e, como cereja do bolo, falar em “Nordeste livre”. Livre de quê? Do voto que não agrada à extrema direita? Livre da democracia quando o resultado não é o esperado?

O raio caiu do céu, mas o oportunismo veio da terra mesmo.

Não houve autocrítica, não houve empatia verdadeira. Houve palco. Houve palanque. Houve a velha tentativa de transformar qualquer tragédia em combustível político, como se a dor alheia fosse detalhe e a narrativa fosse tudo.

O mais grave é o uso descarado de uma tragédia para reforçar divisões regionais. O Nordeste, que historicamente sofre com desigualdade, abandono e preconceito, vira novamente alvo de discurso raso, como se fosse inimigo interno a ser “libertado” pelo mesmo projeto político que sempre o ignorou.

No fim, o episódio escancara o padrão:
quando a realidade bate forte — seja com dados, eleições ou até com um raio — a resposta não é responsabilidade, é discurso ensaiado. Não é cuidado com vidas, é CPI. Não é respeito ao povo, é slogan.

O raio foi um acidente.
O discurso, não.

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