7 de março de 2026

Petrobras pode voltar à Venezuela após troca da dívida do país por participação no setor petrolífero.

O governo brasileiro está estudando uma proposta que pode permitir o retorno da Petrobras à Venezuela, após anos de ausência no país vizinho. A ideia central é converter parte da dívida venezuelana com o Brasil em participação acionária em ativos do setor de petróleo e gás na Venezuela.

Atualmente, a Venezuela acumula cerca de US$ 1,8 bilhão em dívidas referentes a financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e que foram assumidos pelo Tesouro Nacional após o não pagamento por Caracas. Considerando que o pagamento efetivo desses débitos é improvável no curto prazo, a alternativa em análise é transformar esse passivo em participação em projetos de exploração e produção petrolífera venezuelana.

A negociação está inserida numa estratégia mais ampla de retomada de laços energéticos entre Brasil e Venezuela. Se o acordo avançar, a Petrobras poderia atuar em áreas como:

  • Produção no Lago Maracaibo, onde há petróleo leve, embora com atividade em declínio.
  • Exploração na Bacia do Orinoco, rica em óleo pesado, área na qual a empresa tem conhecimento técnico para trabalhar.
  • Recuperação de refinarias venezuelanas, atualmente em deterioração.
  • Investimentos em gás natural offshore, ainda pouco explorado na região.

Além dessa negociação, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende levar o tema para discussão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em reunião prevista para março, buscando o consentimento norte-americano para a retomada das operações da Petrobras na Venezuela.

A possível movimentação representa uma mudança importante na política energética do Brasil, pois a Petrobras reduziu significativamente sua presença internacional nos últimos anos, voltando a estudar oportunidades de internacionalização sob o atual governo.

No âmbito técnico e jurídico, ainda há desafios a serem superados, especialmente porque a dívida está vinculada ao Tesouro Nacional enquanto a Petrobras possui acionistas privados. Qualquer modelo de conversão precisaria conciliar essas diferenças de estrutura.

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