“Evangélico tem que ficar no culto, pastando, e não votar”, diz “Peninha”.
A declaração atribuída a “Peninha” — “Evangélico tem que ficar no culto, pastando, e não votar” — gerou forte repercussão e indignação nas redes sociais. A frase, além de ofensiva, toca em um ponto sensível da democracia brasileira: o direito universal ao voto e à participação política, independentemente de crença religiosa.

No Brasil, o Estado é laico, mas a sociedade é plural. Evangélicos, católicos, espíritas, religiões de matriz africana, ateus e tantos outros grupos convivem sob a mesma Constituição, que garante a todos o direito de se expressar, de se organizar e de votar. Sugerir que um grupo religioso deva ser excluído do processo político não é apenas um ataque a esse grupo específico, mas uma afronta direta à democracia.
A fala também escancara o nível de radicalização do debate público. Críticas ao uso político da fé — algo legítimo e necessário — não podem se transformar em desprezo ou desumanização de milhões de brasileiros. Há uma diferença clara entre questionar lideranças religiosas que instrumentalizam a religião para obter poder e atacar fiéis como se fossem incapazes de exercer cidadania.
O episódio serve de alerta: o autoritarismo não se manifesta apenas quando se tenta calar opositores políticos, mas também quando se tenta definir quem “pode” ou “não pode” votar. Democracia não é escolher quais vozes são aceitáveis; é conviver com as diferenças, mesmo quando elas incomodam.
Em um país marcado por desigualdades e polarização, declarações como essa não contribuem para o debate público. Pelo contrário, aprofundam divisões e desviam o foco dos verdadeiros problemas nacionais, que exigem diálogo, responsabilidade e respeito mútuo.

