Todo Castigo pra Corno Golpista é Pouco. Nikolas e apoiadores são atingidos por raio.

A cena parece saída de uma fábula política brasileira, onde o absurdo disputa espaço com a realidade. Após uma caminhada de mais de 240 quilômetros em “homenagem” a Jair Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira e seus apoiadores finalmente chegaram ao Distrito Federal. A marcha, vendida como ato de fé, sacrifício e lealdade política, terminou marcada por um episódio inesperado: parte do grupo foi atingida por um raio durante o trajeto.
Felizmente, não houve mortes, mas o ocorrido escancarou o nível de irresponsabilidade que acompanha esse tipo de encenação política. Transformar idolatria em peregrinação, sem planejamento adequado, sem preocupação real com segurança e saúde, é brincar com a vida alheia em nome de likes, engajamento e narrativa messiânica.
O bolsonarismo insiste em misturar política com misticismo, criando mártires imaginários e provas “divinas” de fidelidade. Quando a realidade se impõe — seja na forma de processos judiciais, derrotas eleitorais ou até fenômenos naturais — o discurso vira vitimismo. Tudo é sinal, tudo é perseguição, tudo é espetáculo.
Enquanto o país enfrenta problemas reais — inflação, violência, crise climática, desigualdade social — uma parcela da extrema-direita prefere investir energia em caminhadas performáticas para defender um ex-presidente cercado por investigações, denúncias e fracassos políticos. O raio que atingiu o grupo não é mensagem celestial, é apenas um lembrete óbvio: a natureza não compactua com fanatismo.
No fim das contas, a marcha revela menos sobre fé ou coragem e mais sobre o vazio político de um projeto que já perdeu o rumo. Quando a política vira culto, o bom senso é sempre a primeira vítima.

