Defesa de Zambelli afirma que prisão no DF desrespeita direitos humanos e tenta barrar extradição.

A defesa da ex-deputada Carla Zambelli apresentou à Justiça italiana um novo argumento para tentar impedir sua extradição ao Brasil: a alegação de que o sistema prisional brasileiro, e em especial a penitenciária onde ela seria enviada, não respeita os direitos humanos básicos. Esse tema voltou a ganhar destaque nas audiências que avaliam o futuro da parlamentar, detida na Itália enquanto aguardam decisões judiciais sobre sua possível transferência ao Brasil.
Segundo os advogados de Zambelli, o local previsto para o cumprimento da pena — a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia — teria condições precárias que violariam normas internacionais de direitos humanos. No pedido apresentado à Corte de Apelação de Roma, a defesa destaca problemas como superlotação, estrutura inadequada, falta de atendimento médico adequado e condições sanitárias insatisfatórias. Esses argumentos, sustentam eles, contrariam acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário e poderiam expor a ex-parlamentar a tratamento degradante caso a extradição seja autorizada.
A estratégia jurídica faz parte de um esforço mais amplo para convencer os magistrados italianos de que a transferência de Zambelli para o sistema penitenciário brasileiro representaria uma ameaça à sua integridade física e moral. A legislação europeia e internacional prevê salvaguardas que permitem a um país recusar a extradição se houver risco real de que o extraditado seja submetido a condições desumanas ou degradantes.
A questão dos direitos humanos já havia sido debatida em outros momentos do processo judicial: no passado, autoridades italianas chegaram a avaliar se Zambelli correria risco de violação de direitos básicos no Brasil, com pareceres divergentes sobre o tema.
O caso tem repercutido intensamente na política e no meio jurídico, pois envolve não apenas aspectos processuais da extradição, mas também reflexões sobre o sistema prisional brasileiro e os compromissos do país com os padrões internacionais de tratamento de detentos. A Corte de Apelação de Roma continua analisando a documentação e os argumentos apresentados, e ainda não há uma data definida para uma decisão final sobre o pedido de extradição de Zambelli.

