24 de janeiro de 2026

Trump ameaça taxar o Canadá em 100% caso feche acordo com a China: chantagem econômica à luz do dia.

Donald Trump nunca escondeu sua visão de mundo baseada na força bruta e na intimidação. Mas a mais recente ameaça — impor tarifas de 100% contra o Canadá caso o país avance em um acordo comercial com a China — escancara algo ainda mais grave: o uso descarado do poder econômico dos Estados Unidos como instrumento de chantagem política.

O Canadá é um país soberano, com direito de definir suas próprias parcerias comerciais de acordo com seus interesses nacionais. Ao ameaçar punições severas apenas pela possibilidade de um acordo com a China, Trump deixa claro que sua lógica não é de livre mercado, mas de submissão. Ou joga conforme as regras de Washington, ou paga um preço altíssimo.

Essa postura revela a hipocrisia do discurso trumpista. Enquanto fala em “liberdade econômica” e “América forte”, Trump defende, na prática, um protecionismo agressivo e autoritário, que tenta sufocar qualquer país que busque alternativas fora da órbita dos EUA. Não se trata de proteger trabalhadores americanos, mas de manter controle geopolítico à base do medo.

Além disso, a ameaça cria instabilidade global. Tarifas de 100% contra um parceiro histórico como o Canadá não afetariam apenas Ottawa, mas também empresas, consumidores e cadeias produtivas nos próprios Estados Unidos. É uma política de confronto permanente, que transforma aliados em reféns e o comércio internacional em um campo de batalha.

O recado de Trump é claro: na sua visão, o mundo não deve cooperar, deve obedecer. E esse tipo de lógica não fortalece ninguém — apenas aprofunda divisões, enfraquece instituições internacionais e mostra como o trumpismo continua sendo um risco real à estabilidade econômica e política global.

Quando a ameaça vira método, a diplomacia morre. E o que sobra é a lei do mais forte.

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