Palestina pede Lula no Conselho da Paz: quando a neutralidade vira omissão.

O apelo do embaixador palestino ao presidente Lula não é apenas diplomático — é profundamente humano e político. Ao pedir que o Brasil aceite o convite de Donald Trump para integrar o chamado Conselho da Paz, o representante palestino deixa claro: Israel já está dentro. E, quando apenas um lado ocupa a mesa, a tal “paz” nasce desequilibrada, injusta e parcial.
A presença de Israel nesse conselho, sem vozes que defendam de forma firme o direito do povo palestino à autodeterminação, transforma o espaço em mais um instrumento de legitimação da ocupação, da violência e da negação de direitos básicos. É por isso que a entrada do Brasil, sob a liderança de Lula, é vista como fundamental. Não se trata de endossar Trump ou sua política externa, mas de ocupar um espaço estratégico para impedir que a narrativa única prevaleça.
Historicamente, o Brasil sempre teve um papel relevante na defesa do multilateralismo, do diálogo e do direito internacional. Lula, em especial, construiu reconhecimento global por não se curvar a pressões das grandes potências e por defender soluções políticas baseadas na justiça, e não na força militar. Para os palestinos, Lula simboliza exatamente isso: alguém capaz de dizer o óbvio que muitos preferem calar — não há paz possível sem o fim da ocupação e sem o respeito aos direitos do povo palestino.
O pedido do embaixador é também um alerta: a ausência de países amigos abre espaço para que decisões sejam tomadas contra os mais vulneráveis. A neutralidade, nesse contexto, não é equilíbrio — é omissão. E o mundo já viu, inúmeras vezes, o preço pago quando a comunidade internacional escolhe olhar para o outro lado.
O povo palestino conta com Lula. Conta com o Brasil. Conta com uma diplomacia que não confunde “paz” com silêncio diante da injustiça. Estar no Conselho da Paz pode ser desconfortável, politicamente complexo e cheio de armadilhas, mas é justamente nesses espaços que a voz dos que defendem direitos humanos precisa se fazer ouvir.
Se Israel está dentro, é ainda mais urgente que o Brasil esteja também — não para legitimar abusos, mas para confrontá-los com coragem, história e compromisso com a justiça internacional.

