23 de janeiro de 2026

Malafaia “vira o Diabo” e ataca Nikolas: hipocrisia, luxo e o teatro da fé.

Silas Malafaia voltou a ocupar o centro do palco — não como pastor, mas como personagem de um espetáculo de intolerância, vaidade e hipocrisia. Em mais um de seus surtos verbais, o autointitulado “líder religioso” partiu para cima do deputado Nikolas Ferreira, disparando acusações e bravatas dignas de um reality show da fé. O motivo? Hospedagem em hotel cinco estrelas e uma suposta falta de “coerência espiritual”.

Em tom agressivo, Malafaia esbravejou que Nikolas deveria estar “caminhando para soltar o ‘Varão de Jesus’” em vez de desfrutar do luxo. No auge da encenação, ainda teve a ousadia de exigir honestidade do deputado, proclamando-se exemplo moral: “Seja honesto como eu sou”. A frase, por si só, soa como piada pronta — ou como confissão involuntária do grau de cinismo que domina parte do fundamentalismo religioso brasileiro.

O episódio escancara algo que já não é novidade: a fé, para certos personagens, virou instrumento de poder, dinheiro e ataque político. O discurso moralista é usado como arma seletiva — serve para apontar o dedo, humilhar adversários e manter seguidores em estado permanente de indignação, enquanto os próprios líderes vivem cercados de luxo, privilégios e relações nada republicanas.

Não se trata de defender Nikolas Ferreira, que tem um histórico conhecido de declarações polêmicas e alinhamento a pautas extremistas. Trata-se de expor a contradição gritante de quem se diz porta-voz de Deus, mas age movido pelo ódio, pela soberba e pelo desejo de controle. O “falso pastor”, como muitos já o chamam, parece cada vez mais distante de qualquer mensagem de humildade ou compaixão que o cristianismo propõe.

Quando líderes religiosos abandonam o púlpito para vestir a fantasia do ódio, a fé deixa de ser espiritual e vira mercadoria política. E nesse teatro grotesco, o que menos importa é Jesus — o que vale mesmo é o palco, o poder e o aplauso dos fiéis capturados pela retórica do medo.

No fim das contas, Malafaia não virou o diabo por acaso. Apenas deixou cair a máscara.

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