22 de janeiro de 2026

Macron diz em Davos que cooperação com BRICS e G20 será prioridade do G7.

Durante discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, o presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu uma mudança de postura do G7 diante do novo cenário geopolítico global. Segundo ele, a cooperação com blocos como o BRICS e o G20 deve se tornar prioridade estratégica para as principais economias desenvolvidas.

A fala de Macron ocorre em um momento de clara reconfiguração do poder global, com o fortalecimento de países emergentes e o avanço de alianças fora do eixo tradicional liderado por Estados Unidos e Europa. Para o presidente francês, insistir em uma lógica de blocos fechados e de disputas hegemônicas apenas aprofunda crises econômicas, políticas e climáticas.

“Não é mais possível governar o mundo a partir de poucos países”, afirmou Macron, ao defender um multilateralismo mais pragmático e inclusivo. Segundo ele, temas como transição energética, segurança alimentar, estabilidade financeira e combate às mudanças climáticas exigem diálogo direto com países que hoje exercem papel central na economia mundial, como Brasil, China, Índia e África do Sul.

A sinalização do líder francês também reflete um reconhecimento implícito: o G7, isoladamente, já não possui força suficiente para ditar os rumos da economia global. O crescimento do BRICS e a relevância política do G20 mostram que decisões globais passam, necessariamente, por uma mesa mais ampla de negociação.

A fala de Macron é vista como um gesto diplomático importante, especialmente para países do Sul Global, que há anos reivindicam maior participação nas instâncias decisórias internacionais. Ao mesmo tempo, expõe tensões internas no próprio G7, onde parte dos líderes ainda aposta em estratégias de contenção geopolítica em vez de cooperação.

Em Davos, Macron deixou claro que o futuro da governança global dependerá menos de rivalidades ideológicas e mais da capacidade de construir consensos entre diferentes modelos econômicos e políticos. Resta saber se o discurso se converterá em ações concretas — ou se ficará restrito às promessas feitas no palco do principal fórum econômico do mundo.

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