Fachin interrompe férias para tentar conter STF: haverá freio aos excessos de Dias Toffoli?

A decisão do ministro Edson Fachin de interromper suas férias para reassumir a presidência do Supremo Tribunal Federal não passou despercebida nos bastidores de Brasília. O gesto, incomum e simbólico, foi interpretado como uma tentativa clara de impor algum freio institucional ao rumo que determinadas decisões da Corte vêm tomando — especialmente aquelas protagonizadas pelo ministro Dias Toffoli.
Nos últimos meses, o STF tem sido alvo de críticas crescentes por decisões monocráticas que extrapolam, segundo juristas e analistas políticos, os limites da previsibilidade jurídica. Em alguns casos, tais decisões têm provocado impactos diretos em investigações sensíveis, acordos já consolidados e no próprio funcionamento de outros Poderes da República.
É nesse cenário que Fachin retorna ao comando do Supremo antes do previsto. Conhecido por um perfil mais técnico e cauteloso, o ministro parece disposto a resgatar o papel moderador da presidência da Corte, buscando evitar que decisões individuais acabem por gerar instabilidade institucional e desgaste público ainda maior ao STF.

A grande questão, porém, é saber se Fachin conseguirá, de fato, impor limites aos colegas. O regimento interno do Supremo concede amplos poderes aos ministros, e a cultura de decisões monocráticas se consolidou nos últimos anos. Além disso, figuras influentes dentro da Corte, como Dias Toffoli, contam com forte articulação política e histórico de protagonismo em temas sensíveis.
Mais do que um embate pessoal, o movimento de Fachin revela uma disputa sobre o próprio papel do Supremo na democracia brasileira. O STF deve atuar como guardião da Constituição, com decisões colegiadas e previsíveis, ou continuará funcionando como uma soma de vontades individuais, cada vez mais expostas ao jogo político?
A resposta ainda é incerta. O retorno antecipado de Fachin pode sinalizar uma tentativa de reorganização interna e de contenção de danos. Mas, diante do ambiente de tensões internas e da pressão externa crescente, resta saber se esse esforço será suficiente para recolocar o Supremo nos trilhos do equilíbrio institucional — ou se será apenas mais um capítulo de uma crise que parece longe do fim.

