7 de março de 2026

Bolsonaro, a maior Desgraça do Brasil.

Muita gente olha os números do governo Jair Bolsonaro e diz que houve superávit, que sobrou dinheiro em caixa. Esse superávit foi real, mas aconteceu dentro do teto de gastos, que limitava despesas pela inflação, mesmo quando havia dinheiro disponível. Além disso, o próprio governo fez escolhas de conter investimentos.

Entre 2019 e 2022, a linha geral foi segurar investimento nas estatais, adiar obras, cortar modernização e focar em gerar caixa no curto prazo. Ao mesmo tempo, houve avanço visível em serviços digitais pelo gov.br. Isso melhora rankings e deixa o balanço bonito, mas não representa crescimento estrutural.

A CEAGESP é um exemplo claro. Seguraram manutenção pesada e reformas, ao mesmo tempo em que reajustaram tarifas. O caixa melhorou, mas galpões, rede elétrica e estrutura continuaram envelhecendo. Quem paga isso depois são os permissionários e o consumidor final, com custos maiores e serviços piores.

Na Petrobras, cortaram investimentos fora do núcleo, venderam ativos e priorizaram dividendos. Resultado: menos refino, menos pesquisa e mais dependência de importação. Quem perde é a população, que fica mais exposta à variação internacional de preços.

Os Correios ficaram com modernização limitada. Logística e tecnologia avançaram pouco. Quem sofre é o pequeno comerciante, quem vende online e as cidades menores, onde o serviço já é frágil.

A Eletrobras, antes da privatização, teve obras e projetos reduzidos. Isso freou a expansão energética. No médio prazo, quem paga é o consumidor, com energia mais cara e menos planejamento.

A Infraero ficou praticamente só com aeroportos menores e pouco investimento. Regiões afastadas perderam conectividade aérea.

Nos bancos públicos, o padrão foi enxugamento. O Banco do Brasil reduziu crédito de desenvolvimento e fechou agências. A Caixa vendeu ativos e segurou expansão física e tecnológica. Quem saiu prejudicado foram pequenos empresários, população de periferia e cidades do interior, com menos acesso a crédito e atendimento.

O BNDES praticamente travou grandes financiamentos. Obras de infraestrutura deixaram de sair do papel. Isso afeta diretamente emprego e crescimento econômico.

Empresas de tecnologia pública como Dataprev e Serpro ficaram só no mínimo necessário. A modernização estrutural andou devagar, afetando serviços como Previdência, impostos e cadastros sociais, mesmo com avanço de portais e aplicativos.

A Embrapa teve orçamento apertado. Pesquisa diminui, inovação cai. Quem perde é o produtor rural e o próprio agronegócio no longo prazo.

A Casa da Moeda operou sem modernização industrial relevante.

A Telebras ficou praticamente parada. A promessa de ampliar conectividade pública não avançou, prejudicando escolas, postos de saúde e áreas remotas.

No transporte urbano, CBTU e Trensurb ficaram com manutenção básica e quase nenhuma expansão. Quem sofre é o trabalhador que depende de trem lotado e estrutura velha.

A Eletronuclear teve Angra 3 praticamente travada, atrasando geração futura de energia.

A Codevasf perdeu caráter técnico e virou pulverização de obras pequenas, sem planejamento de desenvolvimento regional.

O DNIT também ficou fora de investimento pesado, com estradas e pontes andando devagar ou paradas. Isso pesa no frete, no preço dos alimentos e na segurança viária.

A Funasa teve projetos de água e esgoto cortados ou atrasados em cidades pequenas. Quem paga é a população mais pobre, sem saneamento básico.

A Valec praticamente ficou administrando contratos antigos, sem avanço real em novas ferrovias.

Além disso, universidades federais e institutos federais passaram por contingenciamentos sucessivos, com obras paradas, laboratórios sem verba e pesquisa enfraquecida. O IBGE teve orçamento comprimido a ponto de quase inviabilizar o Censo no prazo original, o que prejudica planejamento de políticas públicas e repasses a municípios. E o Incra teve queda de investimento em regularização fundiária e apoio a assentamentos, deixando pequenos produtores sem assistência.

Resumindo:

o superávit apareceu por causa do teto de gastos, mas também porque seguraram obras, adiaram manutenção, cortaram pesquisa, venderam ativos e pararam expansão.

Entrava dinheiro, mas muita coisa deixou de ser feita.

Quem ficou no prejuízo foi o trabalhador, o pequeno empresário, o produtor rural, quem mora no interior, quem depende de transporte público, quem precisa de saneamento, quem paga energia, combustível e comida.

Não foi dinheiro sobrando.

Foi investimento que não aconteceu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *