22 de janeiro de 2026

O efeito do bolsonarismo: quando o ódio deixa de ser sussurro e vira política.

Nos últimos anos, o Brasil assistiu a um fenômeno preocupante: o crescimento de crimes de estupro, racismo, homofobia e misoginia caminhando lado a lado com a normalização de discursos de ódio na política. Esse cenário não surge do acaso. Ele é resultado direto de um ambiente social contaminado pelo bolsonarismo, que transformou preconceito em bandeira, violência simbólica em estratégia e intolerância em discurso oficial.

Quando um presidente da República desdenha de mulheres, relativiza o racismo, ataca pessoas LGBTQIA+ e trata a violência como piada ou bravata, ele não fala apenas para seus apoiadores mais fiéis. Ele sinaliza para toda a sociedade que certos comportamentos estão liberados. O resultado é previsível: agressores se sentem autorizados, protegidos e até encorajados.

Dados de segurança pública e relatos de movimentos sociais mostram que crimes sexuais, ataques racistas e agressões motivadas por ódio aumentaram justamente no período em que o bolsonarismo ganhou força política. Não se trata apenas de números frios, mas de vidas marcadas pela violência e pelo medo. Mulheres, pessoas negras e a população LGBTQIA+ passaram a viver sob uma sensação constante de ameaça, alimentada por um discurso que trata direitos humanos como “mimimi” e igualdade como “ideologia”.

O bolsonarismo também operou uma corrosão institucional perigosa. Ao atacar a imprensa, deslegitimar a Justiça e desacreditar políticas públicas de proteção social, criou-se um vácuo onde a barbárie prospera. Quando o Estado falha em proteger — ou pior, quando flerta com o agressor — o crime deixa de ser exceção e passa a ser rotina.

É importante dizer com todas as letras: discursos têm consequências. Palavras proferidas do alto do poder moldam comportamentos, validam ações e constroem realidades. O crescimento da misoginia, do racismo e da homofobia não é um “efeito colateral”, mas parte de um projeto político que se alimenta do conflito, da exclusão e do ódio.

Combater esse legado exige mais do que a troca de governos. Exige responsabilização, fortalecimento das instituições, políticas públicas eficazes e, sobretudo, uma mudança cultural profunda. O Brasil precisa escolher entre seguir normalizando a violência ou reconstruir um pacto civilizatório baseado em respeito, dignidade e direitos.

Porque uma sociedade que tolera o ódio como discurso acaba convivendo com o crime como destino. E isso, definitivamente, não pode ser normalizado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *