22 de janeiro de 2026

Condenação expõe contradições no discurso bolsonarista sobre “família e costumes”.

A Justiça condenou Fred Pontes, conhecido militante bolsonarista e presidente da Associação Nacional dos Conservadores (Acons), pelo crime de abuso sexual contra menor de idade. A decisão judicial lança luz sobre uma contradição profunda entre o discurso público defendido por Pontes e os crimes pelos quais foi responsabilizado.

Fred Pontes construiu sua atuação política e ideológica a partir de ataques constantes às mulheres, à comunidade LGBTQIA+ e a movimentos sociais, sempre se apresentando como defensor da chamada “família tradicional”, dos “bons costumes” e da moral conservadora. Nas redes sociais e em eventos políticos, sua retórica era marcada por moralismo, intolerância e acusações frequentes contra adversários, a quem rotulava como inimigos da família e das crianças.

A condenação por pedofilia, no entanto, desmonta esse discurso e expõe um padrão que se repete em diversos casos semelhantes: figuras públicas que se colocam como guardiãs da moral acabam envolvidas em crimes graves justamente contra os valores que dizem defender. O caso provoca indignação e reforça a necessidade de separar retórica política de compromisso real com a proteção de crianças e adolescentes.

Organizações de defesa dos direitos humanos e especialistas ressaltam que o combate à violência sexual infantil exige políticas públicas sérias, educação, acolhimento às vítimas e investigação rigorosa — e não discursos vazios usados como ferramenta de guerra cultural. A exploração e o abuso sexual de menores são crimes que atravessam ideologias e precisam ser enfrentados com responsabilidade institucional e justiça.

A condenação de Fred Pontes também reacende o debate sobre o uso do discurso moralista como estratégia política, muitas vezes acompanhado de ódio, desinformação e perseguição a grupos vulneráveis. Quando a prática desmente o discurso, quem paga o preço são as vítimas, que precisam ser colocadas no centro da atenção do Estado e da sociedade.

Mais do que um episódio isolado, o caso serve como alerta: defender “bons costumes” em palavras não substitui caráter, responsabilidade nem respeito à lei. Justiça feita não apaga o crime, mas reafirma que ninguém está acima da lei — independentemente do discurso que adote ou do grupo político ao qual pertença.

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