23 de janeiro de 2026

Acorda, Brasil: a democracia resistiu.

A democracia brasileira esteve por um fio. Não se trata de exagero retórico, mas de um fato histórico que precisa ser reconhecido, debatido e lembrado. O país assistiu, nos últimos anos, a uma escalada de ataques às instituições, à imprensa, ao processo eleitoral e ao próprio Estado Democrático de Direito. No centro desse processo esteve Jair Bolsonaro, líder de um projeto autoritário que flertou abertamente com o golpismo.

Diante desse cenário, o papel do Supremo Tribunal Federal foi decisivo. Os ministros da Corte cumpriram sua função constitucional ao agir como último anteparo contra a ruptura democrática. Não foi uma atuação política, mas institucional: defesa da Constituição, das eleições e do voto popular.

As tentativas de desacreditar as urnas eletrônicas, a mobilização de apoiadores contra o Congresso e o Judiciário, os ataques verbais a ministros do STF e o incentivo constante à radicalização criaram um ambiente propício para o caos. O desfecho mais evidente desse processo foi a tentativa de ruptura institucional que culminou em atos antidemocráticos e na responsabilização de seus articuladores.

É importante dizer com clareza: não se tratou de “opinião divergente” ou “liberdade de expressão”. Foi um projeto de poder baseado na mentira, no medo e na desinformação. Um projeto que tentou empurrar o Brasil de volta a um passado autoritário que a sociedade já havia superado com muito custo.

Ao barrar esse avanço, o STF não “salvou um governo”, mas protegeu o país. Protegeu o direito de cada cidadão votar, se manifestar e viver sob regras claras. Protegeu a democracia de uma quadrilha política que apostou no conflito permanente como estratégia.

Acordar, Brasil, significa entender que a democracia não se defende sozinha. Ela exige instituições fortes, imprensa livre e uma sociedade vigilante. Reconhecer o papel do Supremo nesse momento histórico não é idolatrar ministros, mas reconhecer que, sem freios institucionais, o autoritarismo avança.

O Brasil segue em frente não por acaso, mas porque a Constituição prevaleceu. E isso, gostem ou não, fez toda a diferença.

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