Macron discursa de óculos escuros em Davos e alfineta Trump: ‘Não é o momento para imperialismos’
Macron discursa de óculos escuros em Davos e alfineta Trump: “Não é o momento para imperialismos”.

O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou atenção no Fórum Econômico Mundial de Davos não apenas pelo conteúdo de seu discurso, mas também pela forma. Usando óculos escuros durante sua fala, o líder francês aproveitou o palco internacional para mandar um recado direto — ainda que sem citar nomes de forma explícita — ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à crescente onda de nacionalismos e políticas expansionistas no cenário global.
Durante o discurso, Macron afirmou que “não é o momento para imperialismos”, defendendo o multilateralismo, a cooperação entre países e o fortalecimento das instituições internacionais. A declaração foi interpretada por analistas como uma crítica às políticas protecionistas e isolacionistas que marcaram a gestão Trump e que voltam a ganhar espaço em discursos políticos ao redor do mundo.
Defesa do multilateralismo e da ordem global.

Macron ressaltou que o mundo enfrenta desafios que não podem ser resolvidos por ações unilaterais. Crises climáticas, conflitos armados, desigualdades econômicas e instabilidade geopolítica exigem, segundo ele, respostas coletivas e coordenadas, e não projetos de dominação ou influência imperial.
“O século XXI não comporta mais lógicas de poder baseadas na força ou na imposição”, afirmou o presidente francês, reforçando a necessidade de diálogo entre potências e respeito à soberania das nações.
Recado político em tom simbólico
A escolha de discursar de óculos escuros rapidamente virou símbolo e repercutiu nas redes sociais e na imprensa internacional. Para muitos, o gesto representou uma tentativa de transmitir firmeza e confiança em meio a um cenário global instável. Para outros, foi apenas um detalhe que acabou ofuscando, ainda que momentaneamente, a mensagem central do discurso.
Independentemente da estética, o conteúdo político foi claro: Macron busca se posicionar como um dos principais defensores da ordem liberal internacional, em contraste com líderes que apostam no nacionalismo econômico e em disputas de poder.
Europa como contraponto aos imperialismos.

O presidente francês também reforçou o papel da União Europeia como um bloco comprometido com a diplomacia, o comércio justo e a cooperação internacional. Segundo ele, a Europa deve assumir maior protagonismo global, não como força imperial, mas como mediadora e promotora de estabilidade.
Ao alfinetar Trump em um dos palcos mais influentes do mundo, Macron deixa claro que a disputa de narrativas sobre o futuro da ordem global segue aberta — e que Davos continua sendo um espaço estratégico para esse embate político e ideológico.
